Como identificar um e-mail de Phishing?
Saiba reconhecer mensagens fraudulentas, proteger as contas da sua empresa e agir corretamente perante uma tentativa de fraude digital.

Como identificar um e-mail de Phishing antes de clicar?
O correio eletrônico é uma ferramenta essencial para o funcionamento das empresas. É através dele que recebemos documentos, comunicamos com clientes, aprovamos pagamentos e partilhamos informação importante. No entanto, essa utilização diária também faz do e-mail um dos meios explorados pelos criminosos informáticos.
Uma mensagem aparentemente enviada por um banco, fornecedor, colega ou plataforma tecnológica pode esconder uma tentativa de roubo de credenciais, fraude financeira ou instalação de software malicioso.
De acordo com a Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA, 2026), a engenharia social continua a desempenhar um papel importante nos ataques informáticos, particularmente através de campanhas de phishing que procuram explorar a confiança dos utilizadores.
Por isso, saber identificar um e-mail suspeito antes de clicar é uma competência essencial para qualquer profissional, independentemente da sua função ou dos seus conhecimentos técnicos.
1. O que é phishing?
O phishing é uma técnica de engenharia social utilizada para enganar pessoas e levá-las a realizar ações que comprometem a sua segurança digital.
Normalmente, o atacante tenta apresentar-se como uma entidade legítima, utilizando mensagens que parecem ter sido enviadas por bancos, empresas de entregas, serviços públicos, plataformas digitais ou até por alguém da própria organização.
O objetivo pode ser levar a vítima a:
- Introduzir palavras-passe numa página falsa.
- Partilhar dados pessoais ou financeiros.
- Descarregar e executar ficheiros maliciosos.
- Autorizar pagamentos ou transferências indevidas.
- Fornecer códigos de autenticação ou aprovar acessos que não solicitou.
Segundo o National Cyber Security Centre (NCSC, s.d.), os ataques de phishing podem ser enviados em grande escala ou dirigidos especificamente a determinados colaboradores e organizações.
Quando uma tentativa é personalizada com informação sobre a empresa, o cargo do destinatário ou os seus contactos profissionais, é habitualmente designada por spear phishing.
Esta personalização pode tornar a fraude particularmente convincente.
2. Porque é que estes ataques conseguem enganar tantas pessoas?
Existe a ideia de que as mensagens fraudulentas são sempre fáceis de reconhecer, porque apresentam erros ortográficos, imagens de má qualidade ou pedidos pouco credíveis.
Na realidade, muitos ataques são cuidadosamente preparados.
Os criminosos podem reproduzir a identidade visual de uma marca, utilizar informação pública sobre uma empresa e construir mensagens que parecem corresponder a tarefas normais do dia a dia.
Num estudo científico de referência, Dhamija, Tygar e Hearst (2006) demonstraram que características visuais aparentemente credíveis podem induzir os utilizadores em erro, mesmo quando existem indicadores técnicos que poderiam ajudar a identificar a fraude.
Embora o estudo tenha sido realizado num contexto tecnológico anterior ao atual, o seu contributo mantém-se relevante: a aparência de legitimidade não é suficiente para garantir que uma comunicação é segura.
Além disso, ferramentas modernas de criação e tradução de conteúdos tornam possível produzir mensagens cada vez mais naturais e bem escritas. A ENISA (2026) destaca a utilização crescente de tecnologias avançadas para apoiar atividades maliciosas.
Por isso, uma mensagem sem erros de português também pode ser fraudulenta.
3. Sete sinais que podem indicar um e-mail de phishing
Nenhum destes sinais, isoladamente, prova que uma mensagem é maliciosa. No entanto, a presença de vários indicadores deve levar o destinatário a verificar cuidadosamente a sua origem.
1. Pedidos urgentes ou ameaças de consequências imediatas
Expressões como «A sua conta será bloqueada hoje», «Pagamento pendente: ação imediata necessária» ou «Última oportunidade para evitar a suspensão do serviço» devem despertar atenção.
A urgência pode ser utilizada para reduzir o tempo de reflexão e incentivar decisões precipitadas.
Antes de agir, confirma se a situação é verdadeira através dos canais habituais da entidade.
2. Endereço do remetente diferente do esperado
Um e-mail pode apresentar o nome de uma empresa conhecida e, ainda assim, ter sido enviado de um endereço que não lhe pertence.
Verifica o endereço completo do remetente, e não apenas o nome apresentado.
Pequenas alterações na escrita, caracteres semelhantes ou domínios inesperados podem indicar uma tentativa de imitação.
Contudo, um endereço aparentemente correto não garante segurança, pois existem situações de falsificação de remetentes e contas legítimas comprometidas.
3. Links para páginas de autenticação inesperadas
Uma mensagem que solicita o início de sessão para consultar uma fatura, desbloquear uma conta ou confirmar um documento pode conduzir a uma página falsa.
Em vez de utilizar o link recebido, abre diretamente a aplicação ou o serviço através de um acesso que já conheces e tens guardado.
Em computadores, pode ser possível pré-visualizar o destino de uma ligação ao colocar o cursor sobre ela, sem clicar. Ainda assim, essa verificação não substitui a utilização de um endereço previamente conhecido e de confiança.
4. Pedidos de palavras-passe ou códigos de segurança
Desconfia de mensagens que pedem palavras-passe, códigos de autenticação ou a aprovação de um acesso não solicitado.
Uma entidade legítima pode pedir que utilizes o seu sistema de autenticação, mas não deve necessitar que reveles a tua palavra-passe por e-mail.
O mesmo cuidado aplica-se aos códigos temporários e às notificações de autenticação multifator.
Se receberes uma solicitação de aprovação que não iniciaste, não a confirmes.
5. Ficheiros anexos inesperados
Faturas, comprovativos, notificações de entrega e documentos administrativos são frequentemente utilizados como pretexto para enviar anexos.
Um ficheiro aparentemente normal pode conter instruções maliciosas, explorar vulnerabilidades ou incentivar a instalação de software.
Antes de abrir um anexo inesperado, confirma com o remetente através de um contacto independente, sobretudo se a mensagem pedir para ativar macros, executar programas ou alterar definições de segurança.
6. Alterações inesperadas em dados bancários
Este é um dos sinais mais importantes para os departamentos financeiros.
Imagina que uma empresa recebe uma mensagem de um fornecedor habitual a informar que o pagamento da próxima fatura deve ser efetuado para uma conta bancária diferente.
A mensagem pode apresentar o nome correto do fornecedor, mencionar uma encomenda real e até surgir numa conversa de e-mail anterior.
Segundo o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS, 2026), as campanhas de fraude por comprometimento de correio eletrónico empresarial, frequentemente designadas por Business Email Compromise (BEC), podem envolver pedidos financeiros fraudulentos que aparentam ter origem em responsáveis ou parceiros legítimos.
Qualquer alteração de dados bancários deve ser confirmada por telefone, utilizando um número previamente conhecido e não o contacto indicado na mensagem suspeita.
7. Pedidos fora dos procedimentos habituais
Uma mensagem pode ser suspeita simplesmente porque solicita uma ação que não corresponde aos procedimentos normais da empresa.
Por exemplo:
- Um diretor pede uma transferência urgente fora do processo de aprovação.
- Um fornecedor solicita documentos confidenciais por um canal pouco habitual.
- Um colaborador recebe instruções para instalar software sem intervenção da equipa informática.
- Uma plataforma pede uma nova autenticação sem que exista motivo conhecido.
A pergunta fundamental é: «Este pedido faz sentido e corresponde à forma como normalmente trabalhamos?»
Quando a resposta não é clara, a melhor decisão é confirmar antes de agir.
4. Exemplo prático: uma falsa mensagem do Microsoft 365
Imagina que um colaborador recebe um e-mail com o seguinte assunto:
«Ação necessária: a sua conta Microsoft 365 será suspensa»
A mensagem utiliza um logótipo conhecido, apresenta um aspeto profissional e informa que o utilizador tem de confirmar urgentemente a sua identidade.
Ao clicar no botão, é apresentada uma página muito semelhante à de autenticação habitual.
O colaborador introduz o endereço de e-mail e a palavra-passe.
O problema é que a página pertence a um atacante.
Neste cenário, as credenciais podem ser recolhidas e utilizadas para tentar aceder ao correio eletrónico ou a outros serviços empresariais.
Dependendo das proteções existentes, o atacante poderá ainda tentar obter acesso através de sessões comprometidas ou outros mecanismos.
A atitude mais segura teria sido ignorar o botão da mensagem e aceder ao Microsoft 365 através da aplicação ou do endereço habitual, verificando se existia realmente alguma notificação.
Este exemplo demonstra uma regra essencial: não é a aparência do e-mail que confirma a sua autenticidade, mas a verificação independente da informação apresentada.
5. O que fazer quando recebes um e-mail suspeito?
Quando uma mensagem desperta dúvidas, não é necessário entrar em pânico nem tomar decisões precipitadas.
O procedimento recomendado é simples:
Primeiro, interrompe a interação. Não cliques em links, não abras anexos e não respondas com informações confidenciais.
Depois, verifica a origem. Contacta a entidade por telefone ou através de uma aplicação conhecida, sem utilizar os contactos apresentados na mensagem suspeita.
De seguida, comunica a situação. Se utilizas um e-mail empresarial, informa o responsável informático ou a equipa de suporte, seguindo os procedimentos internos.
Por fim, utiliza os mecanismos de denúncia disponíveis. Muitas plataformas de correio eletrónico permitem sinalizar mensagens suspeitas como phishing.
O NCSC (s.d.) recomenda que as organizações criem processos simples para comunicar possíveis ataques e promovam uma cultura em que os colaboradores se sintam à vontade para reportar incidentes.
Uma comunicação rápida pode permitir identificar mensagens semelhantes recebidas por outros colaboradores e reduzir a exposição da organização.
6. E se já clicaste no link?
Clicar numa ligação suspeita não significa automaticamente que o computador foi infetado ou que uma conta foi comprometida.
O risco depende do destino da ligação, das vulnerabilidades existentes e das ações realizadas posteriormente.
Ainda assim, é importante agir rapidamente.
Se apenas abriste a página
Fecha a página, evita interagir com o seu conteúdo e comunica a situação à equipa informática, especialmente se tiver ocorrido algum descarregamento inesperado.
Se introduziste uma palavra-passe
Informa imediatamente a equipa informática e altera a palavra-passe através do serviço legítimo, de preferência num equipamento de confiança.
Pode também ser necessário terminar sessões ativas, verificar regras de encaminhamento de e-mail e analisar os registos de acesso, tarefas que deverão ser acompanhadas por quem administra os sistemas.
Se aprovaste uma autenticação inesperada
Comunica o incidente de imediato.
Uma aprovação não solicitada pode permitir que terceiros avancem num processo de autenticação, dependendo do mecanismo utilizado.
Se descarregaste ou executaste um ficheiro
Não voltes a executar o ficheiro. Contacta a equipa informática e segue as suas instruções quanto à utilização ou eventual isolamento do equipamento.
Se efetuaste um pagamento
Contacta imediatamente a instituição bancária para comunicar a suspeita de fraude e solicitar os procedimentos adequados. Informa também os responsáveis da empresa.
Quanto mais cedo uma situação for comunicada, maiores poderão ser as possibilidades de limitar as consequências.
7. Como pode uma empresa reduzir o risco de phishing?
A formação dos colaboradores é importante, mas não deve ser a única linha de defesa.
O NCSC (s.d.) defende uma abordagem de proteção em várias camadas, combinando medidas técnicas, procedimentos organizacionais, sensibilização e capacidade de resposta a incidentes.
Entre as medidas recomendáveis encontram-se:
Proteção do correio eletrónico. Utilizar filtros de spam, análise de mensagens maliciosas e mecanismos de autenticação de domínio, como SPF, DKIM e DMARC, corretamente configurados.
Autenticação multifator. Acrescentar mecanismos de proteção ao acesso às contas, dando preferência, sempre que possível, a métodos resistentes a phishing.
O National Institute of Standards and Technology (NIST, 2025) distingue mecanismos de autenticação com diferentes níveis de proteção, incluindo opções concebidas para resistir à captura e reutilização de credenciais em páginas fraudulentas.
Atualização dos sistemas. Manter aplicações, sistemas operativos e navegadores atualizados para reduzir a exposição a vulnerabilidades conhecidas.
Controlo de permissões. Limitar os acessos de cada utilizador aos sistemas e dados necessários às suas funções.
Validação de pagamentos. Exigir uma segunda confirmação independente para alterações bancárias e operações financeiras fora dos procedimentos habituais.
Formação contínua. Ensinar os colaboradores a reconhecer pedidos suspeitos, verificar a informação e comunicar situações anormais.
Plano de resposta. Definir antecipadamente quem deve ser contactado e quais os procedimentos a seguir em caso de suspeita de comprometimento.
Estas medidas não eliminam completamente o risco, mas tornam a organização mais preparada para prevenir, identificar e responder a tentativas de fraude.
8. A importância de uma cultura de cibersegurança
A cibersegurança não depende exclusivamente de programas informáticos, firewalls ou sistemas de monitorização.
Depende também das decisões tomadas diariamente por quem utiliza a tecnologia.
Uma empresa em que os colaboradores sabem identificar situações anormais, confirmar pedidos sensíveis e comunicar rapidamente incidentes dispõe de uma camada adicional de proteção.
No entanto, é igualmente importante reconhecer que nem todos os ataques são facilmente identificáveis. Mensagens cuidadosamente personalizadas e contas legítimas comprometidas podem ultrapassar verificações superficiais.
Por isso, a responsabilidade pela segurança deve ser partilhada entre colaboradores, responsáveis de gestão e equipas técnicas.
O objetivo não é exigir que todas as pessoas identifiquem todos os ataques, mas criar condições para que uma mensagem fraudulenta tenha menos hipóteses de causar danos.
Conclusão: antes de clicar, confirma
O phishing continua a ser uma ameaça relevante para empresas de todas as dimensões.
A utilização de marcas conhecidas, mensagens urgentes e pedidos aparentemente legítimos pode transformar uma tarefa diária numa situação de risco.
Por isso, antes de abrir um anexo, introduzir credenciais ou autorizar uma operação, vale a pena verificar três aspetos:
Quem está realmente a pedir? O pedido corresponde ao procedimento habitual? Consigo confirmar a informação por outro canal?
Esta pequena verificação pode ajudar a evitar comprometimentos de contas, perdas financeiras e interrupções na atividade empresarial.
A Combitecnic apoia empresas na implementação de medidas de cibersegurança e proteção de dados, ajudando a reduzir riscos e a melhorar a segurança dos ambientes informáticos.
A prevenção começa com informação, mas torna-se mais eficaz quando é acompanhada por tecnologia adequada e boas práticas consistentes.
Referências bibliográficas
CENTRO NACIONAL DE CIBERSEGURANÇA (CNCS). (2026, 21 de abril). Campanhas de CEO Fraud e de Business Email Compromise Fraud. Centro Nacional de Cibersegurança, Portugal.
DHAMIJA, R., TYGAR, J. D., & HEARST, M. (2006). Why phishing works. Proceedings of the SIGCHI Conference on Human Factors in Computing Systems, 581–590. Association for Computing Machinery.
EUROPEAN UNION AGENCY FOR CYBERSECURITY (ENISA). (2026). ENISA Threat Landscape 2026. Agência da União Europeia para a Cibersegurança.
NATIONAL CYBER SECURITY CENTRE (NCSC). (s.d.). Phishing attacks: defending your organisation. National Cyber Security Centre, Reino Unido.
NATIONAL INSTITUTE OF STANDARDS AND TECHNOLOGY (NIST). (2025). Digital Identity Guidelines: Authentication and Authenticator Management. NIST Special Publication 800-63B-4. Departamento do Comércio dos Estados Unidos.
